
Foi tornado público ontem (11) um relatório interno da Organização das Nações Unidas (ONU), que mostrou que os agentes que participam da missão de paz da entidade em países como o Haiti e a Libéria cometeram uma série de crimes sexuais.
O Escritório da ONU para Serviços de Fiscalização Interna (Oios, na sigla em inglês) entrevistou centenas de mulheres no Haiti e na Libéria e afirma que entre as razões para que elas mantivessem relações com os soldados estão fome, pobreza e falta de abrigos, medicamentos, produtos para bebês e itens domésticos.
"As provas obtidas nos dois países que recebem as missões demonstram que as transações sexuais são bastante comuns, mas muito pouco reportadas", afirma o documento.
Os militares são acusados de trocar itens como vestidos, joias e telefones celulares por favores sexuais.
O relatório, datado de 15 de maio e ainda confidencial, foi obtido pela AFP (Agência de Notícias Francesa) e seria publicado em sua forma final na próxima semana. O documento relata que 231 mulheres haitianas afirmaram ter tido relações sexuais com soldados da paz em troca de serviços ou bens materiais.
O relatório aponta que "o número de preservativos distribuídos, juntamente com a quantidade de pessoal que busca aconselhamento voluntário e testes confidenciais de HIV, sugerem que as relações sexuais entre os membros da força de paz e da população local são rotineiras".
O texto cita um boletim da ONU de 2003 que proíbe tais práticas, uma vez que podem abalar a credibilidade da organização nas áreas em que opera.
Desde 2004 o Brasil chefia a missão e já enviou mais de 30 mil militares ao país. Atualmente há 1.343 militares brasileiros no Haiti.
nominuto.com
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